O Núcleo de Lamego da Liga dos Combatentes recebeu em 24 de abril de 2026, o Dr. Joaquim Melo para uma conferência dedicada ao tema “As Campanhas Militares em Angola em 1914”. Estiveram presentes cerca de 70 pessoas, entre Sócios e familiares, numa sessão marcada por grande interesse histórico. Ao longo da exposição, o conferencista apresentou uma leitura rigorosa e profundamente documentada dos acontecimentos que antecederam a entrada formal de Portugal na Primeira Guerra Mundial, destacando que os confrontos no sul de Angola ocorreram ainda em 1914, antes da declaração oficial de guerra em março de 1916. Entre os pontos mais relevantes abordados:
• Os incidentes fronteiriços com a então África Sudoeste Alemã, que culminaram em confrontos violentos e na morte de centenas de combatentes, incluindo tropas indígenas ao serviço de Portugal, muitas delas recrutadas entre povos do sul de Angola; • A destruição de monumentos coloniais após a independência angolana, como o antigo monumento de Luanda junto ao Mercado Kinaxixe, substituído sucessivamente por símbolos políticos da nova ordem; • A fragilidade das estruturas militares portuguesas, agravada por equipamento inadequado ao clima africano, dificuldades logísticas e surtos de doenças provocadas pela falta de água potável; • O contexto internacional da época, marcado pela disputa entre potências europeias, pela Conferência de Berlim e pelo avanço alemão e britânico sobre territórios reclamados por Portugal; • O papel das populações locais, tanto como aliadas como em resistência, e a complexidade das relações políticas, sociais e económicas que moldaram o sul de Angola no início do século XX.
A conferência permitiu compreender como estes episódios – muitas vezes ausentes da memória coletiva – foram decisivos para a afirmação da soberania portuguesa e para a evolução da presença militar no continente africano.
No final, o Núcleo de Lamego ofereceu ao Dr. Joaquim Melo o Livro do Centenário da Liga dos Combatentes e o Professor Ribeiro ofereceu o Livro com a sua Autobiografia, como expressão de reconhecimento pelo seu contributo para a preservação da história e da identidade militar portuguesa.