No dia 29 de maio comemora-se o Dia das Operações de Paz e Humanitárias, em alusão ao Dia Internacional dos Soldados da Paz das Nações Unidas. Em 2026, a data foi celebrada com uma cerimónia oficial promovida pela Liga dos Combatentes (LC), contando com o apoio do EMGFA, os três ramos das Forças Armadas, a GNR e a PSP, junto ao Monumento aos Mortos do Ultramar e ao Monumento das Operações de Paz em Belém (Lisboa).
A anteceder a cerimónia oficial, decorreu uma missa de sufrágio na Capela do Combatente, no Forte do Bom Sucesso, em memória de Todos os Combatentes e com homilia pelo Capelão-Adjunto da PSP, Luís Leal.
A cerimónia que se seguiu foi presidida pelo Ministro da Defesa Nacional (MDN), Nuno Melo, acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General Cartaxo Alves, e pelo Presidente da LC, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues.
Marcaram presença dezenas de altas entidades como o Chefe da Casa Militar do Presidente da República, Tenente-general Maia Pereira, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Costa Pereira, o Diretor Nacional da PSP, Superintendente-chefe Luís Carrilho, o Vice-chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-general Boga Ribeiro, em representação do Chefe do Estado-Maior da Armada, o Vice-almirante Salvado de Figueiredo, em representação do Comandante-geral da GNR, o Major-general Seabra Ferreira, e o Secretário-geral do MDN, Tenente-general Campos Serafino.
A LC esteve representada ao mais alto nível, com a presença do Presidente do Conselho Supremo, Professor Doutor Luís Aires Botelho Moniz de Sousa, o Presidente da Assembleia-geral, General Pina Monteiro, o Presidente do Conselho Fiscal, Dr. Alcides Martins, membros dos diferentes órgãos sociais, Núcleos e os seus Porta-guiões, bem como Sócios e Combatentes.
Após serem prestadas as Honras Militares à Alta Entidade que presidiu à cerimónia, foi executada uma salva de honra protocolar de 19 tiros por uma unidade da Marinha Portuguesa surta no Rio Tejo.
Este ano, as alocuções ficaram a cargo do Presidente da LC, do Presidente da Associação de Fuzileiros (AFZ) como orador convidado, Comandante Carlos Moreira, e do MDN.
O Presidente da LC começou por salientar que “Honrar o Passado e construir a Paz é missão de Portugal e das suas Forças Armadas e Forças de Segurança e das suas consequentes Missões Internacionais de apoio à Paz”, relembrando que a “História destas missões é feita de luzes e sombras. Reconhecemos os seus êxitos, onde a intervenção travou genocídios e reconstruiu nações, mas não ignoramos os fracassos e as limitações impostas pela geopolítica. Contudo, a sua verdadeira importância reside na capacidade de substituir o monólogo das armas, pelo diálogo das nações, provando que a paz não é só a ausência de conflito, mas a presença de justiça e mediação.”
Reconhecendo os militares nacionais que serviram e servem em missões internacionais, o Presidente da LC destacou que “Portugal e as suas Forças são hoje uma Nação de Construtores de Paz. As nossas Forças Armadas – Exército, Marinha e Força Aérea – e Forças de Segurança são hoje reconhecidas internacionalmente pela sua “forma de estar”: uma mistura rara de rigor técnico, disciplina e uma empatia humana profunda”. Não esquecendo quem perdeu a vida ao serviço de Portugal, o Presidente da LC afirmou: “Não podemos falar de missões de paz sem honrar o seu custo. A paz tem um preço, muitas vezes pago com a própria vida. Recordamos hoje, com saudade e gratidão, os militares e agentes portugueses que não regressaram.”
A terminar a sua intervenção, o Tenente-general Chito Rodrigues fez questão de referir e agradecer o apoio do MDN à instituição e aos Combatentes, nomeadamente no recente apoio financeiro para a recuperação das lápides e iluminação em redor do Monumento aos Mortos do Ultramar, em Lisboa, no permanente apoio à Operação «Embondeiro» que decorre em Angola para recuperar os espaços cemiteriais e os restos mortais dos Soldados de Portugal que perderam a vida em nome da Pátria. No entanto, também deixou um apelo para que seja concretizada uma revisão positiva dos complementos e suplementos especiais de pensão dos Combatentes e respetiva isenção de IRS.(discurso na íntegra)
O orador convidado e Presidente da AFZ, Comandante Carlos Moreira, deu início à sua intervenção relembrando que este dia comemorativo tem o objetivo de “Homenagear os portugueses, homens e mulheres que, integraram e integram forças de manutenção da paz da ONU é lembrar o passado, respeitar o presente e projetar o futuro da soberania nacional dando cumprimento aos compromissos internacionais.”
Neste sentido, o Presidente da AFZ salientou que “Num mundo reconhecidamente imprevisível, inseguro no panorama social, o individualismo apresenta querer tomar a primazia e só conta o que lhe dá utilidade, no entanto considero, como Presidente da Associação de Fuzileiros, que temos, enquanto movimento cívico, assim como a Liga dos Combatentes e outras, um papel relevante e útil na manutenção e desenvolvimento de uma vontade nacional, voltada para as questões da defesa nacional e, no nosso caso, também para a maritimidade.” Reforçando ainda que “As nossas ações, assim como as que a Liga dos Combatentes desenvolve diariamente e a de hoje, a cooperação associativa que vemos aqui a ser materializada, entre estas duas entidades, e a nossa atitude cívica baseada em valores imateriais, não deixando nenhum dos nossos para trás, naquele sentido holístico, envolvendo toda a comunidade onde nos inserimos, designadamente poderes autárquicos, movimentos associativos de solidariedade social e a comunidade per si, potencia a reserva moral da Nação”.
O MDN, Nuno Melo, saudou todos os que serviram a causa da Paz por Portugal e, na presença de muitos destes militares e agentes das forças de segurança prestou uma sentida homenagem “a todos quantos os precederam, os que ficaram feridos, os que tombaram no cumprimentos da missão e às famílias”, expressando “em nome do Estado e da Nação, e certamente encarnando o sentimento de todos, a gratidão e o respeito nesta terra que foi sempre de soldados”, sem esquecer os Combatentes do Ultramar “que são exemplo vivo de coragem e continuam a inspirar muitas gerações de soldados e Combatentes de Portugal”.
Terminadas as alocuções, decorreu a imposição de condecorações, nomeadamente a Medalha da Defesa Nacional – destinada a galardoar os militares e civis, nacionais ou estrangeiros, que, no âmbito técnico-profissional, revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do MDN. Pelo seu trabalho meritório em prol da LC em diferentes áreas de intervenção, dos Combatentes e da Defesa Nacional, foram condecorados os seguintes dirigentes da instituição:
– Medalha da Defesa Nacional (1.ª classe): Coronel Faustino Alves Lucas Hilário, Coronel Fernando Jorge Calisto Duarte, Coronel José Manuel Peres de Almeida, Coronel Paulo Miguel Glória Belchior e Coronel Fátima Jorge;
– Medalha da Defesa Nacional (2.ª classe): Tenente-coronel José Maria Pires Martins, Arq. José Eduardo Varandas dos Santos e Prof. Dr. António Alexandre Nobre Evaristo;
– Medalha da Defesa Nacional (3.ª classe): Sargento-mor Vítor Manuel Frois Caldeira e Dulce Purificação Pereira Correia.
Foram igualmente condecorados dois Combatentes Capacetes Azuis com a Medalha Comemorativa da Paz, atribuída pela Soldiers of Peace International Association, nomeadamente: Nuno Miguel Pereira Guedes e Carlos Alberto Ferreira Monteiro.
Em seguida, deu-se início ao desfile das forças em parada que integrava uma formatura conjunta da Marinha, Comandos do Exército, Força Aérea, uma força da EUROGENDFOR da GNR e outra força da Unidade Especial de Polícia da PSP. A homenagem aos mortos ao serviço da Paz realizada contou com a execução dos tradicionais Toques Militares e a deposição de coroas de flores representativas das altas entidades militares e de forças de segurança, associações de militares e Combatentes.
Após a cerimónia, decorreu a inauguração da exposição «Os Pupilos do Exército (IPE/APE)» no Museu do Combatente, numa parceira com o Instituto dos Pupilos do Exército e a Associação dos Pupilos do Exército.