Em honra de Todos os que serviram Portugal, no dia 9 de abril celebra-se o Dia do Combatente e relembra-se a Batalha de La Lys (9 de abril de 1918), com uma romagem e cerimónia militar oficial no Mosteiro da Batalha e no Túmulo ao Soldado Desconhecido.
No presente ano, a cerimónia oficial do Dia do Combatente e 108.º aniversário de La Lys foi presidida pelo recém-empossado Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, António José Seguro, contando com a participação de milhares de pessoas.
Associaram-se igualmente às comemorações o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o Secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional, Álvaro Castelo Branco, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General Cartaxo Alves, o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Nobre de Sousa, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Mendes Ferrão, o Vice-Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Tenente-general Cardeiro Caldas, o Diretor Nacional da PSP, Superintendente-chefe Luís Carrilho, o 2.º Comandante da GNR, Tenente-general Pedro Silvério, o Presidente da Câmara Municipal da Batalha, André Sousa, assim como outras entidades locais, civis, militares e religiosas, destacando-se as centenas de Combatentes e suas famílias.
A Liga dos Combatentes (LC) esteve representada ao mais alto nível dos seus órgãos sociais, nomeadamente: Presidente do Conselho Supremo, Prof. Dr. Luís Aires Botelho Moniz de Sousa; Presidente da Assembleia-geral, General Pina Monteiro; Presidente da Direção Central, Tenente-general Chito Rodrigues, e outros elementos; bem como dirigentes, Porta-guiões e Sócios de dezenas de Núcleos da instituição.
A cerimónia deste ano iniciou-se com uma missa em honra dos Combatentes, na igreja do Mosteiro e celebrada pelo Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, Dom Sérgio Dinis. Na homilia, relembrou que o Dia do Combatente é “para honrar não apenas os que tombaram, mas todos aqueles que, ao longo das gerações, serviram esta Pátria com o dom da sua vida. É um gesto de justiça e de gratidão — e é também um gesto pascal, porque afirma que o sacrifício tem sentido, que a entrega generosa não se dissolve no silêncio da história” e reconheceu o papel da centenário LC ao referir que “Vós, membros da Liga dos Combatentes, que guardais fielmente esta memória, realizais um ato profundamente cristão: não deixeis que os mortos morram duas vezes. Porque a segunda morte é o esquecimento.”
Após as honras militares à Alta Entidade e revista às Forças em parada, seguiram-se os discursos do Presidente da LC, do Ministro da Defesa Nacional e do Presidente da República, com intervenções marcadas pelo reconhecimento, a homenagem e o compromisso.
O Presidente da LC deu início ao seu discurso relembrando que no Dia do Combatente “recordamos com gratidão todos os que, ao longo da nossa história, vestiram a farda das Forças Armadas de Portugal, no seu tempo, e responderam ao chamamento da Pátria, na defesa da nossa independência e dos nossos interesses nacionais” e que na Batalha de La Lys, em 9 de abril de 1918, “os nossos militares enfrentaram um inimigo superior em número e em meios, mas não em coragem, nem em honra. Tombaram muitos, mas não cederam o seu orgulho nacional, nem o compromisso com a liberdade e com a dignidade do seu país. A bravura demonstrada pelos Combatentes de 1918 é inseparável do carácter do português ao longo dos séculos: homens e mulheres que nunca recuaram perante o dever.”
Esta bravura e orgulho português também viria a marcar as forças expedicionárias portuguesas mobilizadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as centenas de milhares de Combatentes que serviram na Guerra do Ultramar (1961-1975) e cumpriram com rigor, resiliência, coragem e humanidade as suas missões, e os militares nacionais que serviram e servem nas mais recentes missões de paz e humanitárias internacionais sob a égide da ONU, NATO e União Europeia.
O Tenente-general Chito Rodrigues terminou a sua intervenção com um apelo à Paz, num contexto tão conturbado como o atual, referindo que é “tempo de continuar a reafirmar o valor supremo da Paz, tendo poder para a garantir, mas também de reconhecer o papel essencial das Forças Armadas na garantia dessa Paz, pela simples existência dissuasora ou pela ação quando necessário com bravura, profissionalismo e sentido de missão, que constituem garantia da nossa liberdade, da nossa segurança e da continuidade dos valores que desde sempre definem Portugal.” (Discurso na íntegra)
O discurso do Ministro da Defesa Nacional começou com uma homenagem aos Combatentes, afirmando que “Este é um dia maior, dia evocativo da honra e da glória, da dádiva e do sacrifício. (…) É importante que Portugal tenha mais memória e recorde aqueles que serviram a Pátria pela qual juraram morrer, se necessário fosse, aqueles que como em La Lys combateram em África e na Índia, unidos por uma Bandeira.”
Mas a sua intervenção neste Dia do Combatente fica marcada pelo anúncio público relativamente ao reconhecimento legal de todos os Combatentes que prestaram serviço na Índia Portuguesa. Nuno Melo afirmou: “Quero anunciar hoje, um primeiro passo para o fim de uma injustiça que persiste desde 1961. Refiro-me aos Antigos Combatentes presentes na Índia Portuguesa ao tempo da anexação pela União Indiana. Com grande coragem, muitos destes militares combateram, na maior parte dos casos foram feitos prisioneiros, alguns morreram, incompreensivelmente, contudo não têm direito nem acesso ao Estatuto do Antigo Combatente. Sessenta e cinco anos depois é tempo lhes fazer justiça. Por isso, quero anunciar que promoveremos a alteração legislativa necessária para que aos militares Antigos Combatentes na Índia ainda vivos, infelizmente muitos poucos, seja finalmente atribuído o Cartão de Antigo Combatente que sempre lhes foi negado! E a todos, expresso, em nome do Estado, um agradecimento pela sua dádiva, bem sabendo que com este passo corrigimos uma injustiça – uma injustiça que é histórica!”
Na sua primeira intervenção num Dia do Combatente, enquanto Presidente da República, António José Seguro relembrou que “Nesta data, Portugal honra todos quantos, ao longo dos séculos, vestiram a farda da Pátria e partiram, muitas vezes sem saber se voltariam, por obrigação, por convicção, ou simplesmente porque era o que se esperava de um cidadão português. (…) Neste dia de memória e homenagem, deixo palavras de gratidão, dignidade e respeito. A gratidão que hoje expressamos reconhece que Portugal deve muito à coragem e à entrega daqueles que o serviram. Cada Combatente, no silêncio dos seus sacrifícios, contribuiu para o Portugal onde hoje vivemos, em liberdade e em segurança.”
Após as primeiras palavras, prosseguiu com um sentido apelo: “Cinquenta anos depois do 25 de Abril de 1974, que os nossos militares ajudaram a construir, precisamos de olhar para os nossos Combatentes com uma gratidão que não se esgota em palavras de circunstância. Muitos antigos combatentes que defenderam a bandeira de Portugal no século passado e neste, esperam há demasiado tempo por respostas. É justo reconhecê-lo. Reconhecer avanços não basta se persistirem lacunas. A gratuidade dos medicamentos para pensionistas, a majoração dos apoios de saúde, a revisão de benefícios foram evoluções, mas ainda há caminho para andar. A dignidade daqueles que serviram a Pátria não se compadece com adiamentos intermináveis.”
A finalizar, anunciou o seu compromisso ao afirmar que “Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, dirijo-me hoje a todos os Combatentes e às vossas famílias com uma mensagem clara: esta Presidência não estará indiferente às vossas causas. Os Combatentes de Portugal não são um tema de arquivo, nem da história. São uma presença viva, ativa e merecedora da atenção permanente do Estado e da sociedade.”(Discurso na íntegra)
Após as alocuções anteriormente descritas, decorreu a cerimónia de imposição de condecorações. Este ano, a LC atribuiu a Medalha de Honra ao Mérito (grau Ouro) – que se destina a premiar pessoas singulares ou coletivas, nacionais ou estrangeiras, pelos serviços muito distintos e do mais elevado mérito, exercidos no desempenho dos mais altos e alçados desígnios da instituição – às seguintes entidades: Comodoro Francisco Gamito Guerreiro (Diretor de Saúde Militar do EMGFA); Coronel José Rebola Mataloto (Ex-Comandante do Regimento de Cavalaria n.º 6); Coronel Luís Peralta Pimenta (Comandante do Regimento de Cavalaria n.º 3); Luísa Salgueiro (Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos); Inácio Ludovico Esperança (Presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa); Vítor Calisto Marques (Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha); Olímpio Galvão (ex-Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo); Fernando dos Santos Freire (ex-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha); Francisco Rosário (Psicólogo e Coordenador do CAMPS 6 – Évora); e, o Combatente e Porta-guião do Núcleo de Rio Maior da LC, António do Coito.
Foram ainda condecorados com a Medalha de Bons Serviços (grau Prata) o Vice-presidente do Núcleo da Batalha da LC, Joaquim Matias, e o colaborador do referido Núcleo, João Carnoto.
Seguiu-se o Desfile das Forças em Parada, com a presença de militares da Armada, Exército e Força Aérea, terminando com o tradicional desfile de dezenas de Porta-guiões dos Núcleos da LC oriundos de todas as regiões de Portugal e do estrangeiro, bem como de Porta-guiões de outras Associações de Combatentes portuguesas.
Após o desfile, a cerimónia prosseguiu com a assinatura do Presidente da República no Livro de Honra do Museu das Oferendas ao Soldado Desconhecido e um prolongado e sentido cumprimento individual das altas entidades aos Antigos Combatentes e Porta-guiões que se perfilavam ao longo dos claustros a ligar o Museu à Sala do Capítulo, espaço em que se encontra o Túmulo ao Soldado Desconhecido e o Cristo das Trincheiras. Na Sala do Capítulo decorreu o momento de profunda homenagem ao Combatente Português, com a deposição de coroas de flores junto ao Túmulo e a entoação do Hino Nacional pela Banda da Força Aérea, encerrando-se assim a cerimónia oficial.
Refere-se ainda a presença, este ano, de uma delegação proveniente da região de Hauts-de-France, composta por autarcas, membros da comunidade portuguesa emigrante e representantes locais da LC, a anteceder a cerimónia oficial que terá lugar em França nos dias 18 e 19 de abril para a evocação da Batalha de La Lys, numa romagem até ao Cemitério Militar Português de Richebourg, La Couture, Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse.
A LC agradece publicamente a todas as entidades militares e civis que contribuíram, mais uma vez, para o êxito da organização das cerimónias, sem esquecer Todos os Combatentes, Sócios, Núcleos e amigos que participaram neste Dia do Combatente e tornaram a cerimónia uma homenagem digna.
Feliz dia do Combatente