A Liga dos Combatente (LC) prossegue com a 2.ª Fase da Operação «Embondeiro», visando honrar e dignificar os Combatentes caídos ao serviço de Portugal em Angola. Esta Fase teve o seu início em 2025, na Província do Bengo, onde se efetuaram 108 exumações, cujas ossadas foram depositadas nos ossários dos cemitérios do Alto das Cruzes e de Santa Ana, em Luanda. Desde 2024, quando se iniciou esta Operação, já se efetuaram 465 exumações de 13 cemitérios localizados nas Províncias de Luanda, de Ícolo e Bengo e do Bengo.
Este ano, os trabalhos ocorrem nas Províncias do Zaire e do Uíge. Os trabalhos no Zaire decorreram em duas fases: de 18 a 25 de abril – reconhecimento aos lugares cemiteriais de M’Banza Congo (antigo S. Salvador do Congo), Cuimba, Nóqui, Soyo (antigo Santo António do Zaire) e N’Zeto (antiga Ambrizete); de 11 a 22 de maio – execução das exumações.
A Delegação da LC, coordenada pelo Coronel Batalha da Silva, integrou o Coronel Hamilton Ramalho, o Sargento-mor Rui Gomes e o Sargento-mor João Baptista, permitindo a constituição de duas equipas. A anteceder o reconhecimento, a Delegação da LC foi recebida no Governo Provincial por uma comitiva chefiada pela Vice-governadora para os Serviços Técnicos e Infraestruturas, Arquiteta Ângela Diogo. Nos Municípios, a Delegação foi recebida pelos respetivos Administradores e Administradores Adjuntos, consoante a disponibilidade.
O reconhecimento permitiu identificar os locais onde estavam inumados Combatentes, o tipo de terreno e as infraestruturas das sepulturas, por forma a identificar os meios necessários para a execução das exumações. A fase da execução das exumações, em maio, decorreu conforme a descrição que a seguir se apresenta.
Em Cuimba, a cerca de 63 km de M’Banza Congo, por uma picada que se demora entre 2h30 a 3h, consoante chova ou não, foram exumados 7 Combatentes nascidos em Portugal. Os trabalhos iniciaram-se, como habitual, após a cerimónia levada a cabo pelos Sobas locais. A sepultura de um Combatente, cujos restos mortais terão sido trasladados em 1973 de um local no Município do Luvo, junto à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), para o talhão militar do cemitério de Cuimba, não foi encontrada. Parte das sepulturas estavam soterradas, onde havia uma plantação de abóboras. A última exumação ocorreu já ao cair da noite, tendo o Município disponibilizado um projetor para concluir o trabalho nesse dia. No fim dos trabalhos, a Administradora do Município ofereceu uma refeição, tendo o regresso a M’Banza Congo ocorrido de noite, com duração superior a 3h30.
No dia seguinte, iniciaram-se as exumações em Nóqui, Município fronteiriço à RDC. Era intenção começar a deslocação pelas 05h00, por forma a que os trabalhos tivessem início antes das 09h00, mas uma avaria numa das viaturas adiou os trabalhos para depois das 10h00. Numa extensão de 156 km desde M’Banza Congo, cerca de metade da estrada apresenta o pavimento degradado e os últimos 25 km até Nóqui são picada, pelo que se demora entre 3h30 a 4h.~O talhão militar do antigo cemitério estava devidamente desmatado, o que permitiu uma fácil identificação das sepulturas, pese embora grande parte delas estivessem parcialmente soterradas. Os trabalhos prosseguiram no dia seguinte, com o acompanhamento de uma das equipas da LC, tendo no total sido exumados os restos mortais de 12 Combatentes em Nóqui, todos nascidos em Portugal.
No dia em que continuavam os trabalhos em Nóqui, outra equipa deslocou-se ao Lufíco com o intuito de proceder à exumação de um Combatente. Parte do trajeto, de cerca de 45 km dos 150 km que distam de M’Banza Congo, é feito em dura picada, demorando-se nesse troço cerca de 2h30. Presumia-se que o Município tivesse identificado o local da sepultura, contudo tal não ocorreu, pelo que se demorou algum tempo a encontrar o local do suposto talhão militar, onde deveria estar a referida sepultura de um Combatente. Após alguma prospeção, foi encontrada uma laje de sepultura. Com a escavação do local da laje, verificou-se que não existia ali nenhuma sepultura. No local também não existia nenhuma referência do local exato da sepultura, que poderia estar soterrada algures na área. Consultado o Soba local, este referiu desconhecer se ali estaria alguém sepultado.
Na saída para M’Banza Congo, depois de uma refeição oferecida pela Administradora do Município, fomos interpolados por populares, que contactaram uma idosa de 98 anos, a qual referiu que a laje encontrada teria sido deslocada por uma retroescavadora e indicou o seu (possível) local original. Face ao adiantado da hora (poderia colocar em risco o regresso da equipa da LC em segurança), optou-se por adiar os trabalhos de pesquisa. Após nova tentativa na segunda-feira, em que se cavou uma área de 3,5×3,5 metros com uma profundidade de 0,7 a 1 metro, não se encontrou a estrutura da sepultura, pelo que se deu por concluída a pesquisa.
No final do dia de segunda-feira, visitou-se o local do antigo cemitério de M’Banza Congo, para indagar da viabilidade de efetuar a exumação de um Combatente que ainda aí devia estar inumado, uma vez que na altura da trasladação das ossadas de outros Combatentes para ossários (em 1974), o seu corpo ainda estava em decomposição e aí permaneceu. Todavia, foi constatado que o local foi ocupado por um bairro (atual bairro do Cazanga), não existindo qualquer indicação do antigo talhão militar.
No Soyo foram encontradas 6 sepulturas das 8 referenciadas. No local onde era suposto estar uma das sepulturas havia indícios de ter sido feita uma exumação e outra sepultura estava alterada com uma estrutura coberta por azulejo. As estruturas das sepulturas e as suas coberturas eram bastante sólidas, tendo-se recorrido à contratação de maquinaria para a execução dos trabalhos.
No N’Zeto, o antigo cemitério apresentava um estado de conservação razoável, face à sua idade e possivelmente pouca manutenção, realçando-se as sepulturas do talhão militar, com algumas delas a necessitar de reparação, mas cujas lajes mantinham as inscrições a latão, sinal de que o local não teria sido objeto de vandalismo. Na primeira visita, durante o reconhecimento, equacionou-se recuperar o espaço do talhão militar, face ao seu relativo estado de conservação e a aparente robustez das sepulturas. Contudo, na segunda visita, após melhor investigação às estruturas das sepulturas e depois de uma demorada conversa com o Administrador Adjunto do Município com o pelouro dos cemitérios, concluiu-se que seria melhor proceder à exumação das 34 sepulturas de Combatentes aí existentes, transladando as suas ossadas para os ossários de Luanda. Porém, face à atual limitação de espaço nos ossários, enquanto não for autorizado pelo Governo Provincial de Luanda a construção de um novo ossário, equaciona-se o adiamento das exumações.
Na quarta-feira, dia 20, foram acondicionadas as ossadas nas urnas e colocadas no ossário da LC no cemitério do Alto das Cruzes (Luanda), consubstanciando-se assim os funerais. Na Província do Zaire, nesta fase, foram feitas 25 exumações, estando por fazer as 34 exumações em N’Zeto.
Durante esta missão, a Delegação da LC foi permanentemente acompanhada por delegados do Serviço de Informações e Segurança Militar, da Direção Nacional de Preservação do Legado Histórico e da Direção Nacional de Infraestruturas, ambas do Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, para além das entidades governamentais descentralizadas na Província do Zaire, com responsabilidades no assunto em questão, com relevância para a Polícia Nacional de Angola e o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE). Para além do extraordinário apoio destas entidades, releva-se o excelente apoio das entidades Governamentais e Municipais da Província do Zaire.
A Operação «Embondeiro» prosseguirá em julho próximo, com reconhecimentos aos lugares cemiteriais da Província do Uíge, onde estão sepultados mais de 100 Combatentes que caíram ao serviço de Portugal, tendo em vista os trabalhos de exumação a realizar, previsivelmente, em setembro. A LC continua e continuará a realizar o seu trabalho de dignificação dos Combatentes caídos ao serviço da Pátria. Texto: Coronel Carlos Batalha da Silva, Vogal da Direção Central da LC

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