O Núcleo de Tomar da Liga dos Combatentes (LC) assinalou, entre os dias 1 e 7 de junho de 2026, o seu Centenário, celebrando cem anos de dedicação aos antigos combatentes, de preservação da memória histórica e de serviço à comunidade. Ao longo de uma semana de iniciativas culturais, históricas e evocativas, o Núcleo promoveu um vasto programa que envolveu Sócios, entidades civis e militares, representantes de diversas instituições e a comunidade tomarense, homenageando todos aqueles que, ao longo de um século, contribuíram para engrandecer esta instituição e a própria LC.
As comemorações tiveram início com a inauguração de várias exposições temáticas, entre as quais “100 Anos, 100 Fotos”, retratando a história do Núcleo ao longo de um século, “Guerra do Ultramar (1961-1975)” e “25 de Abril de 1974. Liga dos Combatentes – Revolução, Liberdade, Democracia”, proporcionando aos visitantes uma oportunidade única para revisitar alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa e do percurso do Núcleo de Tomar e da LC.
Outro dos momentos altos da programação foi a realização do seminário “Perspetivas da Guerra do Ultramar em 2026 – Uma visão bilateral”, que reuniu especialistas, investigadores e docentes para uma reflexão plural e fundamentada sobre um dos períodos mais marcantes da história recente de Portugal. O painel contou com a participação da Dra. Ângela Maria Ferreira Fonseca, professora de História do Agrupamento de Escolas Templários, que apresentou a comunicação “Memória Coletiva. O Ensino da Guerra Colonial aos Jovens Portugueses”, destacando a importância da transmissão da memória histórica às novas gerações. Participou igualmente o Mestre Miguel André Pereira Jardim de Andrade, com a comunicação “Regressar sem Voltar: Estigma e Reinvenção dos Retornados”, proporcionando uma reflexão aprofundada sobre os desafios vividos pelos retornados após o processo de descolonização. O seminário contou ainda com a intervenção do Professor Doutor Bruno Miguel Carriço dos Reis, que apresentou o tema “Uma guerra ausente, um colonialismo presente: memórias e esquecimentos dos jovens angolanos”, oferecendo uma perspetiva complementar sobre as diferentes leituras e memórias da Guerra do Ultramar no contexto angolano.
As intervenções dos conferencistas foram amplamente elogiadas pelo elevado rigor científico, pela qualidade das comunicações apresentadas e pela disponibilidade demonstrada no debate com os participantes, contribuindo para um espaço de reflexão histórica, diálogo e partilha de conhecimento.
O culminar das comemorações teve lugar no dia 7 de junho, com uma solene cerimónia evocativa realizada junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra e na Parada Interior do Convento de São Francisco, constituindo o momento mais simbólico e institucional das celebrações do Centenário.
A cerimónia foi presidida pelo Presidente da Direção Central da LC, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, contando igualmente com a presença de um representante do Ministro da Defesa Nacional, cuja participação evidenciou o reconhecimento institucional do Estado pela missão desempenhada pela LC na preservação da memória, no apoio aos Antigos Combatentes e na promoção dos valores da Defesa Nacional.
Sócios, Antigos Combatentes, familiares, representantes de entidades civis e militares e numerosos membros da comunidade juntaram-se para prestar homenagem a todos aqueles que, ao longo dos últimos cem anos, serviram Portugal e contribuíram para o fortalecimento do Núcleo de Tomar.
Um dos momentos mais marcantes da cerimónia foi a participação do Grupo de Reconstituição Histórica de Condeixa (GREHC), cuja presença conferiu um especial simbolismo às comemorações. A recriação histórica apresentada dignificou a cerimónia e constituiu um testemunho vivo da preservação da memória militar portuguesa, tendo o Núcleo de Tomar manifestado publicamente o seu reconhecimento pelo notável trabalho desenvolvido por esta associação na valorização da história, da identidade nacional e da memória coletiva.
Durante a cerimónia foram igualmente dirigidas palavras de reconhecimento ao Presidente do Núcleo de Tomar, Tenente-coronel Mourão Garcia, pelo trabalho desenvolvido em prol dos antigos combatentes e das suas famílias, bem como pela ação social, solidária e cívica que o Núcleo tem vindo a promover junto da comunidade, reforçando os valores da solidariedade, da cidadania e da defesa nacional.
As comemorações do Centenário do Núcleo de Tomar da LC constituíram, assim, muito mais do que uma evocação do passado. Representaram um momento de encontro entre gerações, de homenagem aos combatentes, de reflexão sobre a história contemporânea e de reafirmação do compromisso da instituição com a preservação da memória, o apoio aos seus Sócios e a promoção dos valores da liberdade, da paz e da cidadania.
Cem anos depois da sua fundação, o Núcleo de Tomar continua a afirmar-se como uma instituição de referência no concelho e na região, mantendo viva a memória daqueles que serviram Portugal e renovando o compromisso de continuar a servir os Antigos Combatentes, as suas famílias e a comunidade, honrando o lema da LC: “Solidariedade, Memória e Cidadania”.
