Dia-Armistício-2009-02As previsões meteorológicas apontavam para um dia de muita chuva em todo o território. A natureza permitiu que junto ao Forte do Bom Sucesso, no Monumento aos Combatentes do Ultramar, onde na tarde de 14 de novembro se iriam desenrolar cerimónias promovidas pela Liga dos Combatentes, a tarde desse dia fosse cinzenta, serena, sem vento, mas em que os deuses guardaram as lágrimas que deveriam cair do céu, para as colocar nalguns rostos, durante a cerimónia que iria decorrer. Comemoraram-se e evocaram-se em cerimónia com excelente organização, de rara beleza, austeridade, dignidade e emotividade três efemérides, que em termos militares, marcaram a sociedade portuguesa no séc. XX.
O tradicional dia do Armistício, dia 11 de Novembro, celebrado em todos os Núcleos espalhados pelo país com cerimónias, normalmente junto aos Monumentos evocativos do acontecimento, nomeadamente em Lisboa na Avenida da Liberdade, teve a sua Cerimónia principal no Dia 14 de Novembro, em Belém. Também nesse dia se comemorou o Dia da Liga dos Combatentes nascida em consequência daquele conflito a 16 de Outubro de 1923. Finalmente pela primeira vez, de forma oficial e formal se evocou o Aniversário fim da Guerra do Ultramar. A Liga dos Combatentes convidou o Senhor Ministro da Defesa Nacional, Prof Dr Augusto Santos Silva para presidir à cerimónia. Presentes também o Senhor Secretário de Estado e dos Assuntos do Mar. Foi convidado para proferir a tradicional intervenção o General Valença Pinto (CEMGFA). Presentes o Almirante CEMA. General CEME, General CEMFA e General Chefe da Casa Militar do PR, além de Embaixadores e Adidos de Defesa de Países Amigos, Almirantes, Generais e Directores – Gerais, Presidente da Souvenir Français e da Amilcalle des Militares Français au Portugal, Presidente da Royal British Ligeon, Presidentes das Associações de Combatentes, Membros dos Corpos sociais da Liga dos Combatentes e a maior parte dos Núcleos espalhados pelo país.
O MDN foi recebido pelo Presidente da DC tendo á chegada recebido as honras militares de uma força composta por uma Companhia a três pelotões, um de cada ramo, com o estandarte e o guião da Liga dos Combatentes incorporados. Seguiu-se a incorporação da Estandarte Nacional na formatura, com toque do Hino Nacional cantado por todos os presentes. Discursaram depois O Presidente da Liga dos Combatentes, o CEMGFA e o Ministro da Defesa Nacional em intervenções importantes e de profundo significado. Sublinhe-se a intervenção do senhor Ministro da Defesa pelo conteúdo, clareza, definição de caminhos a prosseguir e reconhecimento dos caminhos percorridos em especial no século XX, quer no que se refere aos Combatentes quer às Forças Armadas. Seguidamente procedeu-se á condecoração a título póstumo do Major General Camilo, que faleceu no desempenho das funções de Vice-Presidente da Liga, com a Grã-Cruz de Mérito militar que lhe foi atribuída pelo Presidente da República, por proposta do Presidente da Liga dos Combatentes. Entregou a condecoração à viúva o Sr Ministro da Defesa. O reconhecimento pelos serviços prestados ao serviço da Liga foi depois salientado pela entrega de Medalhas de Mérito da Liga aos Presidentes dos Núcleos de Penafiel, Chaves, ao Secretário do Núcleo de Loulé a título póstuma ao Presidente de Leiria, ao Vogal da Direcção Central Comandante Belém Ribeiro e à Dr.ª Eugénia Cunha colaboradora da Liga no Programa Conservação das Memórias.
Seguiu-se a evocação do Armistício e o descerramento de uma placa com 53 nomes de militares comandos mortos na Guiné. O Presidente da Liga convidou o Senhor Ministro a acompanhá-lo no descerramento da Bandeira Nacional que cobria aquela placa e pediu ao Presidente da Associação de Comandos para os acompanhar nesse acto. Saindo da porta principal do Forte surgiram então seis militares em passo cadenciado segurando três urnas contendo os restos mortais de três militares caídos na Guiné, em Guidaje, exumados durante a primeira operação do Programa Conservação das Memórias. Dirigiram-se para o centro do Monumento e aí colocaram as três urnas em posição central para receberam as homenagens, integrados na cerimónia de homenagem aos mortos em combate. O senhor Bispo das Forças Armadas e de Segurança D Januário Torgal Ferreira proferiu depois uma oração alusiva ao significativo e emotivo momento. Muitas vezes os combatentes ali se haviam já deslocado em cerimónias idênticas de homenagem aos caídos. Hoje para além de terem sido incorporados mais 53 militares naquelas paredes, estavam presentes as ossadas de três camaradas que a guerra derrubou.
Três dezenas de coroas de flores foram depois colocadas pelas Associações e Altas Entidades presentes tendo a ultima sido colocada pelo Senhor Ministro da Defesa Nacional que, acompanhado do Presidente da Liga ouviu, imediatamente atrás das urnas, os toques aos mortos e o toque de alvorada. Seguiu-se a retirada dos corpos dos três militares. A cerimónia encerrou-se com o Hino da Liga, aprovado em Assembleia Geral de 2008 e que sintetiza o sentir dos combatentes por Portugal e os incita a defender e continuar a sua História. Após o desfile das Forças em Parada todos os presentes se dirigiram para o Forte do Bom Sucesso, onde, com o Ministro da Defesa Nacional visitaram as exposições: O Combatente Português do Século XX, Os cem anos da Aviação Portuguesa, A Arte e os Militares e Os Piratas-Ladrões do Mar. A noite caía já sobre a Fortaleza do século XVII.
As nuvens ameaçadoras respeitaram a vontade dos Combatentes em terem uma cerimónia memorável. O Forte iluminou-se e no exterior a iluminação própria e a chama do Monumento davam-lhe mais uma vez a luz que ele merece e tem, durante 24 horas do dia. A todos os que pensaram, apoiaram e trabalharam para que mais um dia destes acontecesse, o Presidente da Liga dos Combatentes agradece.
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Liga dos Combatentes
Author: Liga dos Combatentes

A LIGA DOS COMBATENTES, inicialmente designada por Liga dos Combatentes da Grande Guerra, foi fundada em 1923. Constituem objectivos da LIGA DOS COMBATENTES: a. Promover a exaltação do amor à Pátria e a divulgação, especial entre os jovens, do significado dos símbolos nacionais, bem como a defesa intransigente dos valores morais e históricos de Portugal; b. Promover o prestígio de Portugal, designadamente através de acções de intercâmbio com associações congéneres estrangeiras; c. Promover a protecção e auxílio mútuo e a defesa dos legítimos interesses espirituais, morais e materiais dos sócios; d. Cooperar com os órgãos de soberania e da Administração Pública com vista à realização dos seus objectivos, nomeadamente no que respeita à adopção de medidas de assistência a situações de carência económica dos associados e de recompensa daqueles a quem a Pátria deva distinguir por actos ou feitos relevantes praticados ao seu serviço; e. Criar, manter e desenvolver departamentos ou estabelecimentos de ensino, cultura, trabalho e solidariedade social em benefício geral do País e directo dos seus associados.

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